AsBEA-SP participa da 3ª Pré-Conferência Estadual do CAU/SP em Santos e leva ao debate temas do dia a dia dos escritórios

No dia 28 de fevereiro, a AsBEA-SP participou da 3ª Pré-Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP, realizada em Santos, como parte da agenda de encontros que antecedem as conferências e ampliam espaços de diálogo entre profissionais daquela região, entidades e o Conselho. O evento reuniu arquitetos e urbanistas para uma programação de debates e oficinas voltada a desafios concretos da atuação no território, do urbanismo às práticas profissionais do cotidiano.

A presença da AsBEA-SP teve como foco representação institucional e conexão com a comunidade profissional, contribuindo com discussões diretamente relacionadas à realidade dos escritórios. A entidade foi representada por Marcelo Montoro, Daniel Toledo e pelo vice-presidente Robertto Freitas, que também atuou na interlocução com o público e convidados na área de negócios, nas mesas colaborativas, apresentando a AsBEA-SP e suas frentes de atuação.

Segundo Robertto Freitas, a participação da entidade reforça uma aproximação necessária entre o CAU/SP e os escritórios, sobretudo em pautas que sustentam o exercício profissional na prática. Ele destaca que a contribuição da AsBEA-SP se deu em painéis que trataram de temas do dia a dia e favoreceram a troca direta com os profissionais presentes. “Em painéis diversos, tratamos de temas práticos, do cotidiano da atividade dos escritórios de arquitetura, com participação dos arquitetos presentes, que contribuíram com questionamentos sobre situações comuns enfrentadas pelas empresas em suas interlocuções com clientes, projetistas complementares e obras”, afirma.

Para o vice-presidente, esse formato, que combina conteúdo técnico, debate e escuta, fortalece convergências institucionais e amplia a construção de agendas comuns. “Foi uma ótima oportunidade para o fortalecimento da parceria entre CAU-SP e AsBEA-SP em pautas comuns, que visam a valorização do mercado de projeto de arquitetura em suas várias escalas, desde o urbanismo à arquitetura de interiores, passando pela arquitetura edilícia”, completa.


Tecnologias aplicadas à arquitetura: BIM, coordenação e novas ferramentas no processo de projeto

No Painel 02, Tecnologias aplicadas à arquitetura, concepção, aprovação e obra, o CEO da Königsberger Vannucchi, Daniel Gaspari Cirne de Toledo, representou o escritório ao lado de Rogério Suzuki, com mediação de Rosana Ferrari, contribuindo para o debate sobre inovação, gestão e os impactos de novas ferramentas na prática profissional, em uma programação que também abordou patrimônio, sustentabilidade e os desafios do território.

Em sua participação, Daniel apresentou a experiência da Königsberger Vannucchi com a adoção do BIM e seus desdobramentos na organização do fluxo de trabalho, na coordenação técnica e na entrega de projetos. “Começamos essa implementação em 2017 e o escritório já conta com mais de 250 projetos desenvolvidos com essa metodologia e mais de 1 milhão e 200 mil horas trabalhadas”, afirmou.

Segundo ele, o BIM se consolidou como base para a incorporação de ferramentas complementares e para o fortalecimento da compatibilização com as disciplinas de engenharia. “O BIM é um ponto central, uma metodologia base, que permite a adoção de tecnologia de visualização gráfica e diferentes simulações”, explicou, destacando também o papel de modelos federados e da compatibilização BIM na coordenação de projetos.

O executivo também comentou o avanço do uso de inteligência artificial no escritório. “Hoje passou a ser uma ferramenta de projeto, em que a gente consegue projetar com a nossa intenção e responder muito rápido a essas intenções”, disse. Para ele, a Pré-Conferência foi uma oportunidade valiosa de troca com profissionais da região e de reforço do compromisso com a evolução da Arquitetura e Urbanismo.


Arquitetura de interiores em foco: dados, desafios e valorização profissional

Entre os conteúdos apresentados pela AsBEA-SP, a mesa dedicada à Arquitetura de Interiores trouxe um recorte aprofundado sobre a relevância do segmento no mercado, suas lacunas de reconhecimento e desafios que envolvem ética, segurança jurídica e qualificação técnica. A contribuição foi conduzida por Marcelo Montoro, sob o tema “Protagonismo na Arquitetura de Interiores: Ciência, Desafios e Futuro”.

Montoro explica que “o conteúdo apresentado baseou-se em documentos do próprio conselho e em materiais produzidos pelo grupo de trabalho de interiores da AsBEA SP”.

Ao apresentar um panorama do setor no estado, o palestrante destacou a força do mercado e a relevância do segmento de interiores, ao mesmo tempo em que apontou um descompasso na forma como a especialidade aparece nos registros oficiais. “Nota-se (…) uma invisibilidade estatística na área de interiores”, afirmou. “Embora 62 por cento dos profissionais atuem nesse segmento, apenas 10 por cento dos registros oficiais refletem tal especialidade.”

Segundo Montoro, parte do problema está na forma como a atuação é registrada e compreendida: “Isso decorre de imprecisões no preenchimento de documentos” e também de uma “confusão conceitual” entre arquitetura e design, o que dificulta leituras mais precisas do setor e a proposição de políticas efetivas.


Ética, responsabilidade técnica e segurança jurídica na prática profissional

Outro ponto abordado foi a dimensão ética e a responsabilidade profissional, especialmente relevante em um contexto em que a rotina dos escritórios envolve contratos, coordenação de múltiplos agentes e interface com obra. Montoro chamou atenção para dados de sanções e para temas que impactam a imagem da profissão.

“No campo da ética, o documento aponta que 41 por cento dos arquitetos sancionados (…) são jovens com até 10 anos de formação”, disse. Entre as infrações, ele destacou que “a reserva técnica é um tema crítico para a imagem da profissão”.

A apresentação também reforçou a importância do domínio normativo e do correto uso dos registros para reduzir riscos. “Para garantir segurança jurídica, a apresentação reforça a necessidade de domínio das normas técnicas 16.280 e 16.636”, afirmou, com orientações voltadas ao uso adequado dos registros de execução e gestão.


Interiores como campo científico e de impacto social

A fala de Montoro também defendeu a Arquitetura de Interiores como campo técnico e científico, com impacto direto na qualidade de vida. “A dimensão científica da disciplina é defendida como um pilar de saúde pública”, afirmou, citando a neurociência e o design biofílico como bases para melhorar a condição humana.

Ele ainda mencionou desafios de formação acadêmica: “Mais de 40 por cento das escolas não lecionam a disciplina de interiores.” Como caminhos de valorização, apontou a importância de ampliar referências, fortalecer ética e consolidar o papel do arquiteto como agente de transformação social.

Ao final, Montoro sintetizou o papel das instituições na maturação do setor e na qualificação do debate. “Expor dados, propor soluções e capacitar são funções primordiais das entidades”, concluiu.


Presença institucional e continuidade da agenda

A participação da AsBEA-SP na Pré-Conferência em Santos reforça o compromisso da entidade em contribuir para discussões estruturantes e, ao mesmo tempo, manter o debate ancorado em questões práticas que atravessam a atuação dos escritórios, do urbanismo à arquitetura edilícia e à arquitetura de interiores.

A agenda seguirá com novas edições previstas, ampliando a escuta e o diálogo regional. Em breve, serão divulgadas as próximas datas e locais. A AsBEA-SP continuará acompanhando e fortalecendo espaços de troca que aproximem profissionais, instituições e o mercado, em pautas comuns de valorização do projeto e da prática profissional.

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