Seminários AsBEA-SP reúnem especialistas, ganham repercussão e ampliam o debate sobre o futuro da construção na Modern Construction Show 2026

Realizados na Modern Construction Show, encontros reuniram mais de 40 especialistas e colocaram a industrialização e a sustentabilidade no centro das discussões sobre o futuro da construção

A segunda edição dos Seminários AsBEA-SP, realizada nos dias 30 de setembro e 1º de outubro de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, confirmou a importância de criar espaços qualificados para discutir as transformações que já estão em curso na construção civil. Com o conceito “Dois tempos. Uma transformação.”, integrando a programação da Modern Construction Show 2026, os dois dias reuniu mais de 40 palestrantes e debatedores em dois dias dedicados a temas estratégicos para a arquitetura e para toda a cadeia da construção: industrialização e sustentabilidade.

Mais do que uma programação de conteúdo, os Seminários contribuíram para colocar em circulação questões que estão ganhando relevância no mercado — e que passaram a repercutir também em veículos especializados nos dias que antecederam e sucederam o evento. A repercussão do evento ganhou espaço na imprensa especializada. O ArchDaily destacou a proposta dos Seminários como uma plataforma de conexão entre arquitetos, engenheiros, incorporadoras, indústria, academia, poder público e especialistas técnicos. Já a Revista PROJETO ressaltou o papel estratégico da arquitetura e do projeto nas decisões que impactam viabilidade, produtividade, cronogramas, desempenho e industrialização.

Industrialização deixa de ser tendência e passa a fazer parte da realidade dos canteiros

Um dos principais sinais dessa transformação apareceu em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, em 28 de setembro, com o título “Empreiteiras entram na terceira onda da construção industrial”.

A matéria aborda a mudança dos sistemas construtivos utilizados em São Paulo e mostra que soluções industrializadas já convivem de forma significativa com os métodos tradicionais.
Na reportagem, Gustavo Garrido, presidente da AsBEA-SP, afirma que a falta de mão de obra em diferentes níveis está levando as construtoras a buscar técnicas de montagem mais secas e limpas. Segundo sua estimativa, considerando os edifícios em construção na cidade, cerca de 40% já utilizam soluções industrializadas, enquanto aproximadamente 60% permanecem nos sistemas tradicionais.

A fala de Garrido dialoga diretamente com uma das questões centrais dos Seminários: a industrialização não representa apenas uma mudança de tecnologia, mas uma transformação na maneira de projetar, planejar, contratar e executar uma obra.

A reportagem também destaca o que Garrido chama de “terceira onda” da industrialização, que vai além do drywall e incorpora banheiros semiprontos, estruturas pré-fabricadas e componentes produzidos fora do canteiro. Segundo a estimativa apresentada, um edifício de 24 pavimentos que poderia demandar de 100 a 200 trabalhadores pelo método tradicional pode reduzir significativamente esse contingente com o emprego de tecnologias industrializadas. Ao mesmo tempo, o processo exige mais planejamento e profissionais especializados.

É justamente essa mudança de lógica que esteve no centro do primeiro dia dos Seminários AsBEA-SP, dedicado ao tema “Industrialização – o projeto como ponto de partida”.

O projeto ganha protagonismo em uma construção cada vez mais industrializada

A repercussão também apareceu no Metro Quadrado, que publicou em 1º de outubro a reportagem “Começa um teste para acelerar a industrialização nas obras”.
A matéria mostra como a reforma tributária pode alterar a relação entre construtoras e fornecedores de componentes industrializados, inclusive pela possibilidade de aproveitamento de créditos tributários.

O texto registra que empresas já começam a incorporar essa nova lógica aos seus processos de orçamento e contratação. O Grupo Lucio, por exemplo, passou a solicitar aos fornecedores informações não apenas sobre preços, mas também sobre os créditos tributários que cada aquisição poderá gerar.

A reportagem também recupera uma questão discutida nos Seminários: a industrialização precisa começar antes do canteiro.

Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Secovi-SP, destaca as limitações de fornecedores, equipamentos e profissionais preparados. Já Maurício Linn Bianchi, vice-presidente do SindusCon-SP, chama atenção para a distância que ainda existe entre o projeto e os processos de fabricação, transporte e montagem.

A conclusão converge com uma das mensagens centrais da programação da AsBEA-SP: industrializar exige antecipar decisões e integrar arquitetura, engenharia, indústria e construção desde as primeiras etapas do projeto.

A própria reportagem identifica nesse cenário uma oportunidade para os arquitetos desenvolverem projetos preparados para a industrialização — reforçando o protagonismo da arquitetura em uma cadeia que passa a exigir cada vez mais coordenação e integração.

A falta de mão de obra acelera a transformação

O tema também ganhou destaque em matéria publicada pela Construliga News, intitulada “Falta de mão de obra está transformando o canteiro em uma linha de montagem”.
Repercutindo a entrevista concedida por Gustavo Garrido à Folha, o veículo destaca a estimativa de que as soluções industrializadas já representam aproximadamente 40% das construções em andamento na cidade de São Paulo.

A publicação chama atenção para um dos paradoxos da industrialização: o projeto pode exigir um planejamento 20% a 30% mais longo, mas a execução pode ser concluída em pelo menos um terço do tempo do sistema tradicional, segundo a estimativa apresentada por Garrido.
O processo também altera o perfil da mão de obra. Menos atividades são realizadas diretamente no canteiro e cresce a necessidade de profissionais especializados em planejamento, montagem, coordenação e controle.

Assim, a industrialização aparece não apenas como resposta à busca por produtividade, mas também como uma resposta a um desafio estrutural do setor: quem estará disponível para construir os edifícios das próximas décadas?

Essa questão esteve presente nos debates dos Seminários AsBEA-SP e ajuda a explicar por que a discussão sobre industrialização ultrapassa a escolha entre sistemas construtivos.

Reforma tributária entra no debate sobre o futuro da industrialização

A conexão entre industrialização e ambiente tributário também ganhou espaço na cobertura da imprensa.

O Metro Quadrado mostrou que a reforma tributária pode criar novos incentivos para a aquisição de componentes produzidos industrialmente, à medida que o sistema de créditos tributários passa a influenciar as decisões de compra das construtoras.

Ao mesmo tempo, a matéria evidencia que tributação, isoladamente, não resolve os desafios da industrialização. Permanecem questões relacionadas à oferta de fornecedores, disponibilidade de equipamentos, capacitação profissional, planejamento e integração entre projeto e produção.

Essa abordagem esteve alinhada à proposta dos Seminários: discutir a transformação da construção de maneira ampla, conectando tecnologia, projeto, gestão, economia, sustentabilidade e políticas públicas.

Dos debates à realidade: os temas dos Seminários já estão no mercado

A repercussão das discussões demonstra que os assuntos escolhidos pela AsBEA-SP não são questões distantes ou exclusivamente prospectivas.

A industrialização já está modificando os processos de produção, os sistemas construtivos e o perfil dos profissionais envolvidos. A falta de mão de obra pressiona as empresas a buscar novas soluções. A reforma tributária cria novas variáveis econômicas. E a arquitetura passa a ter papel ainda mais estratégico na coordenação das decisões que precisam ser tomadas antes da chegada da obra ao canteiro.

Nesse contexto, o primeiro dia dos Seminários — dedicado à industrialização como decisão de projeto — colocou em discussão exatamente as questões que vêm sendo identificadas pelo mercado.

Arquitetura, tecnologia e inovação em escala internacional

Um dos momentos de destaque da programação foi a participação internacional de Bráulio Baptista, arquiteto e sócio da ZGF Architects, que apresentou o projeto de expansão do Aeroporto Internacional de Portland, nos Estados Unidos.

O case mostrou como decisões tomadas ainda nas primeiras etapas do projeto podem influenciar diretamente a fabricação, a montagem, a estrutura, o desempenho ambiental e a operação de empreendimentos de alta complexidade.

A apresentação ganhou repercussão na imprensa após o evento. O BRA1 destacou o uso de madeira engenheirada, estruturas metálicas e ferramentas digitais na expansão do aeroporto, que permitiu ampliar a capacidade do terminal sem aumentar seu consumo de energia. O Express News também detalhou a aplicação de ferramentas como Revit, Rhino, Grasshopper e a metodologia Design for Manufacturing and Assembly (DFMA).

A participação de Bráulio também gerou forte interesse entre os profissionais presentes. Em publicação relacionada ao evento, a Bacco Arquitetos Associados registrou que a sala ficou lotada durante a programação e destacou a profundidade das discussões sobre o projeto do aeroporto.

Uma agenda que conecta diferentes elos da cadeia

O segundo dia, dedicado à sustentabilidade como decisão de projeto, ampliou essa perspectiva para temas como descarbonização, eficiência energética, desempenho ambiental, dados climáticos, materiais, pesquisa, políticas públicas e planejamento urbano. Com a participação do Secretário Executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo (SECLIMA), José Renato Nalini, o painel do segundo dia explorou e apresentou o PlanClima SP e as ações para preparar a cidade de São Paulo frente aos desafios climáticos até 2050, com foco em infraestrutura, transição e sustentabilidade urbana.

A realização dos Seminários dentro da Modern Construction Show 2026 contribuiu para aproximar o debate da realidade da indústria e dos diferentes agentes que participam da construção.

Ao longo dos dois dias, arquitetos, engenheiros, incorporadores, construtores, fabricantes, pesquisadores, representantes de entidades e do poder público compartilharam experiências e diferentes perspectivas sobre os caminhos do setor.

Foram 12 painéis interativos, 42 palestrantes e mais de 200 participantes, além do Espaço AsBEA-SP, criado para ampliar as oportunidades de relacionamento, reuniões e conexões durante a feira.

A presença de diferentes pontos de vista foi justamente um dos diferenciais da programação: em vez de tratar industrialização e sustentabilidade como conceitos isolados, os Seminários buscaram discutir como essas transformações chegam ao projeto e modificam as relações entre os diferentes agentes da construção.

 

Dois tempos. Uma transformação.

A segunda edição dos Seminários AsBEA-SP encerra-se, portanto, com uma agenda que vai muito além dos dois dias de programação.

Industrializar significa projetar de outra maneira. Sustentabilidade exige transformar critérios ambientais em decisões concretas. E ambas as agendas colocam a arquitetura diante de novos desafios e novas responsabilidades.

Ao promover esse debate, a AsBEA-SP reafirma seu papel como espaço de articulação, conhecimento e representação dos escritórios de arquitetura, aproximando seus associados e parceiros das transformações que estão redefinindo o setor.

Se a construção está passando por uma nova transformação, uma mensagem ficou evidente ao longo dos Seminários: o projeto não está a jusante dessa mudança — está no ponto de partida.

 

A repercussão confirma a relevância do debate

A cobertura publicada antes, durante e depois do evento reforça a atualidade da agenda proposta pela AsBEA-SP.

A Folha de S.Paulo levou o debate sobre a industrialização para uma discussão mais ampla sobre a transformação dos sistemas construtivos e a escassez de mão de obra.

O Metro Quadrado mostrou como a reforma tributária começa a ser incorporada às decisões relacionadas à industrialização e destacou a necessidade de aproximar projeto e produção.

A Construliga News, por sua vez, repercutiu a discussão sobre a transformação dos canteiros e a mudança do perfil da mão de obra.

E a própria Modern Construction Show destacou os Seminários AsBEA-SP como parte de sua programação dedicada à evolução da construção, com discussões sobre produtividade, inovação, processos construtivos, responsabilidade ambiental e o papel do projeto.

O conjunto dessas publicações evidencia que os temas discutidos nos Seminários estão conectados a questões concretas que já mobilizam empresas, profissionais e instituições do setor.